VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

sábado, 2 de abril de 2016

POR NOVAS PRÁTICAS POLÍTICAS



ZERO HORA 02 de abril de 2016 | N° 18489


EDITORIAL






Os italianos erraram ao acreditar que o Poder Judiciário, sozinho, conseguiria mudar um sistema corrompido. Isso não ocorreu. Faltou uma profunda reforma política.

Corruptores e corruptos não se julgam criminosos, tentam legitimar a prática da corrupção e trabalham pela aprovação de leis que enfraqueçam o poder dos investigadores. Essa advertência da italiana Donatella Della Porta, manifestada em recente entrevista para a revista Veja, merece atenção de todos os brasileiros que torcem para que a Operação Lava-Jato seja um marco de restauração da ética na política e na sociedade em nosso país. Donatella é professora da Escola Normal Superior de Florença e uma reconhecida especialista na Operação Mãos Limpas, que encerrou um ciclo histórico de corrupção na política italiana e serve de inspiração para o juiz Sergio Moro e para seus colegas de força-tarefa no Brasil.

Suas observações vão além dos três pontos abordados no início deste texto. Ela lembra que os italianos erraram ao acreditar que o Poder Judiciário, sozinho, conseguiria mudar um sistema corrompido. Isso não ocorreu. Faltou, segundo a professora, uma profunda reforma política. Em decorrência, a renovação de nomes e de partidos não significou uma renovação das práticas viciadas. Transpondo para o Brasil, é fácil de perceber que, mesmo em meio à rumorosa investigação da Lava-Jato, algumas negociatas continuam sendo praticadas, entre as quais a troca de ministérios e cargos públicos por apoio político – de forma explícita, escancarada e impune. Essa característica do chamado presidencialismo de coalizão traz grandes prejuí- zos ao país, pois passam a ocupar cargos importantes políticos de duvidosa capacidade de gestão.

Outro alerta pertinente da especialista é a natural perda de interesse da opinião pública sobre o combate à corrupção, especialmente quando as pessoas percebem que as mudanças serão lentas ou não ocorrerão. Neste momento, os brasileiros estão atentos e solidários aos investigadores da Lava-Jato, basta observar o número de apoiadores do pacote de 10 medidas anticorrupção apresentado nesta semana pelo Ministério Público Federal ao Congresso. Nada menos do que 2 milhões de brasileiros assinaram o pedido.

Mas é inevitável que sobrevenha um cansaço desse clima de revanchismo e ódio decorrente da política enlameada e da luta pelo poder. Ainda assim, os brasileiros não podem esquecer jamais que, como alertou o psicanalista Contardo Calligaris em recente artigo, quando a corrupção é o sistema de governo, é porque ela é também a forma dominante da vida social, pública e privada. A valorização da ética, portanto, tem que começar em casa, na família, no coração e na mente de cada indivíduo.

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