VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

domingo, 28 de setembro de 2014

OBRIGATÓRIO, MAS CONSCIENTE



ZH 28 de setembro de 2014 | N° 17936

EDITORIAL


A compulsoriedade não deve desestimular o eleitor, que tem muito a fazer para a democracia brasileira evoluir para o voto facultativo.

A uma semana do momento em que se manifestarão nas urnas, os mais de 142,8 milhões de eleitores brasileiros devem aproveitar o tempo restante para se informar ao máximo sobre seus candidatos. Este é o momento de reunir argumentos convincentes para o voto, que continua sendo o principal instrumento de consolidação e fortalecimento da democracia. Ganha ênfase nestes dias, portanto, a recomendação da campanha institucional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Conheça bem o seu candidato, pense antes de votar. Você é responsável pelos políticos que escolhe. Quanto maior for o número de brasileiros determinados a agir assim, menor será a descrença na política. Em consequência, mais perto ficará o país de um avanço democrático que muitos cidadãos reivindicam nos períodos eleitorais: o voto facultativo.

É inegável a rejeição à política por parte expressiva da sociedade. Esta percepção se acentua quando o eleitor constata, como ocorre atualmente, que a campanha eleitoral distancia-se em muito da realidade. Partidos políticos e candidatos em geral, por exemplo, parecem ter esquecido rapidamente da pauta definida nas manifestações de rua de junho do ano passado. Particularmente no caso da disputa presidencial, observa-se muito mais uma temática de desconstrução de adversários, definida por marqueteiros, do que assuntos ligados ao cotidiano dos brasileiros. E nem sempre aquilo que satisfaz a ambição mais imediata dos candidatos – pontuação nas pesquisas eleitorais – coincide com as aspirações dos cidadãos. Em consequência, os eleitores acabam se sentindo cada vez mais desmotivados pelo processo eleitoral, contribuindo, assim, para um descrédito ainda maior na política de maneira geral.

Se o voto não fosse obrigatório, a abstenção certamente seria grande. Mas, por paradoxal que pareça, é exatamente o comprometimento do eleitor que poderá levar a democracia brasileira a evoluir para o voto facultativo. Se tal ocorresse agora, em meio ao desencanto com a política, tenderiam a se beneficiar os partidos com maior militância e os candidatos pouco éticos, que não hesitam em cooptar eleitores e até mesmo em financiar um eleitorado cativo.

O voto facultativo precisa constar como um dos objetivos da agenda política brasileira, transformando-se numa conquista que já é comum em muitas democracias. Porém, para chegar lá, os brasileiros precisam eleger representantes qualificados e comprometidos com uma ampla reforma política, que leve à almejada reorganização partidária e a processos eleitorais transparentes. Daí a necessidade de que os eleitores aproveitem as facilidades existentes hoje para obter o máximo de informação sobre seus candidatos, antes e depois de digitar seu voto.

Editorial publicado antecipadamente no site de Zero Hora, na quinta-feira, com links para Facebook e Twitter. Os comentários para a edição impressa foram selecionados até as 18h de sexta-feira. A questão: Editorial diz que só o voto obrigatório consciente poderá levar ao voto facultativo. Você concorda?

O LEITOR CONCORDA

Concordo. A política, no Brasil, se estabeleceu sob modelos oligárquicos, coronelistas e ditatoriais, que, juntos, contribuíram para a estratificação da sociedade e a aristocracia política. Este resquício de negação à representatividade política, por boa parte da população, afeta a nossa democracia e não será eliminado com estabelecimento do voto facultativo, mas, sim, com uma educação política e filosófica nas escolas juntamente com a manutenção do voto compulsório.

FELIPE TERRA ROLANTE (RS)

Concordo, mas acho também que, quando o povo realmente vir a importância do voto, com a escolha de bons políticos, todos irão votar e não desperdiçarão uma chance que só ocorre a cada dois anos.

MOISÉS GUAZELLI GENEROSO SOMBRIO (SC)

O LEITOR DISCORDA

Discordo totalmente. Só com voto facultativo é que ele será consciente, pois o voto facultativo é mais seletivo, obriga o eleitor a saber o papel de cada cargo e as competências de cada um e obriga os candidatos a terem propostas e ideias, em vez de ficarem trocando acusações entre si. Para o eleitor votar, teria que ter um bom motivo e não ir até a urna e simplesmente votar no mais carismático, pois é bem mais difícil convencer alguém a sair da sua rotina do que alguém que está na boca da urna. Enfraqueceria os candidatos e fortaleceria os partidos, acabando com as legendas de aluguel para candidatos que surgem das mídias.

MATHEUS BUDKE PORTO ALEGRE (RS)

Não concordo. O voto obrigatório não é um direito, e sim um dever. Vivemos em país semidemocrático. Em quase toda a Europa, nos países democráticos, o voto não é obrigatório. Isto sim é democracia. Eu não tenho nenhum candidato que mereça meu voto e, mesmo assim, se eu não votar, sofro represálias do governo, como não poder ingressar no serviço público e outros entraves que podem acontecer. O Brasil copia tanta coisa americana, a maioria bobagem, por que não copia as coisas boas? O sistema político com dois partidos e voto facultativo, o sistema de segurança etc... convém salientar que toda obrigação é um dever e não um direito. Muda, Brasil!

JASSON RODRIGUES DE OLIVEIRAPIRATINI (RS)

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